O MEM decidiu fazer acreditar as suas práticas porque construiu, em homologia processual, um modelo de formação.

É um modelo que tem um plano para ajudar os formandos, baseado numa filosofia de reflexão crítica sobre o seu desenvolvimento na acção. Trata-se de um modelo inovador e alternativo das práticas correntes porque pressupõe a ajuda à construção do “cenário pedagógico” (condições físicas e instrumentais) e a criação de condições de acompanhamento/supervisão, em grupo de cooperação, para garantir, com segurança e ao longo de um período julgado suficiente, a implementação de uma prática.

O MEM promove formação cooperada (acreditada), para efeitos de progressão na carreira, nas modalidades de Oficina, Estágio e Projecto no quadro do Sistema Nacional de Formação Contínua, realizada no âmbito do seu Centro de Formação, criado em 1993, segundo as regras previstas no Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (D.R. 249/92 de 9 de Novembro). É orientada pelos professores que constituem a sua equipa de formadores certificados.

Oficina
Estágio
Projectos de Aprofundamento

 

OFICINA

Pretende-se com a oficina de iniciação transferir, para as práticas profissionais de educadores e professores, as competências e os valores adquiridos no contexto do trabalho de cooperação para estudo e assimilação das componentes do modelo pedagógico do MEM, procedendo por aproximações sucessivas a uma transformação isomórfica das práticas educativas por decorrência das vivências realizadas nas práticas de formação na oficina.

São constituídas por grupos de 15 a 20 formandos que, ao longo de 66 horas (33 presenciais e 33 para trabalho autónomo intercalar entre sessões), produzem materiais, realizam projectos, constroem e estudam textos, divulgam trabalhos, avaliam e são avaliados nas suas realizações.

Trabalha-se o modelo pedagógico pela abordagem:
- do desenvolvimento da formação democrática na escola;
- da organização social das aprendizagens;
- do tempo de trabalho nos projectos dos alunos;
- do tempo de comunicação dos alunos e do tempo dos professores;
- do tempo de estudo autónomo;
- do Plano Individual de Trabalho;
- do ensino interactivo para ajuda às aprendizagens;
- da avaliação, planeamento e regulação dialógica, em cooperação educativa.

Nesta modalidade de formação exige-se um Diário Colectivo do Grupo, que desempenha um papel equivalente ao Diário de Turma, utilizado no âmbito do modelo pedagógico do MEM. O Diário do Grupo é construído regularmente nas sessões presenciais.

Procede-se a um balanço intermédio do seu conteúdo numa das sessões reservadas para o efeito.

Constrói-se um contrato de desenvolvimento deste sistema integrado de acção pedagógica através de um projecto a desenvolver ao longo de um ano lectivo para a sua concretização.

Faz-se um balanço final, na última sessão presencial, a partir do Diário de Grupo, complementado pela exposição dos Portfólios produzidos pelos formandos que, nesse momento, preenchem as fichas de avaliação da acção.

Produz-se um Portfólio, constituído pela colecção das aplicações do modelo feitas durante a Oficina, documentos autênticos ou representações, complementadas por informação que lhes dê sentido, em forma de legenda ou descrição.

 

ESTÁGIO

Pretende-se com o Estágio transferir para as práticas profissionais as competências adquiridas, quer na oficina de iniciação ao modelo, quer em projectos desenvolvidos anteriormente no Movimento, no âmbito da autoformação cooperada.

São constituídos por grupos de 5 formandos, sócios do  MEM que, durante um ano lectivo, de Setembro a Julho, em sessões quinzenais num total de 50 horas presenciais  e 100 de trabalho de estudo autónomo, de modo cooperado se  dão conta da forma como vão implementando o modelo com os seus Grupos/Turmas.

Nesta modalidade começa-se pela elaboração de Projectos Curriculares de Turma integrando o modelo pedagógico do  MEM a desenvolver.  Este texto corresponderá ao Contrato de Formação previsto nos programas de Oficina.

Constrói-se um Diário Individual de Estágio, constituído pelo registo de ocorrências  e pontos de reflexão que serão utilizados com o apoio de outros elementos de trabalho, para alimentar sessões presenciais de análise, reflexão e orientação cooperada do Estágio, enquanto acompanhamento dos Projectos Curriculares de cada formando. 

Produz-se um Relatório final, apoiado nos registos do respectivo Diário Individual, nas sessões de análise e reflexão, e na percepção do desenvolvimento pessoal, social e profissional do próprio relator. 

 

PROJECTO DE APROFUNDAMENTO

Pretende-se desenvolver um trabalho de formação permanente com vista a aprofundar e desenvolver o modelo do MEM. Produzem-se estudos e ensaios, constroem-se instrumentos de organização do trabalho e de apoio à educação através de avaliação e planificação das suas práticas de intervenção escolar (função técnico-pedagógica); constoem-se e partilham-se instrumentos de trabalho pedagógico (função instrumental); promove-se a reflexão e o aprofundamento teórico das práticas à luz dos contributos das Ciências da Educação (função científica).

São constituídos por grupos de 3 a 7 formandos, sócios do  MEM, com práticas sustentadas e com interesse em aprofundar essas práticas, ao longo de 25 horas presenciais e 50 de trabalho autónomo.

Tendo em vista a análise das práticas educativas e o aprofundamento teórico consideram-se os seguintes domínios:
- as componentes estruturais do modelo (circuitos de comunicação; estruturas de cooperação; participação democrática directa na gestão da acção educativa);
- a aplicação do modelo pedagógico do MEM
à gestão do currículo oficial;
- as formas de organização e gestão cooperadas do currículo e da sala de aula;
- o desenvolvimento da acção educativa (rotinas pedagógicas, planeamento, distribuição das actividades, avaliação cooperada);
- o clima social da formação democrática e os princípios estratégicos da intervenção educativa;
- a intervenção na comunidade e a intervenção com as famílias e as instituições locais;
- o trabalho de equipa entre os profissionais na escola;
- a construção cooperada dos projectos educativos nas escolas;
- a função de regulação cooperada dos projectos no âmbito dos grupos cooperativos e do Conselho de Formação Cooperada nos Núcleos Regionais;
- a comunicação e divulgação dos produtos decorrentes da acção de formação/investigação.

A avaliação dos formandos inclui o preenchimento de um questionário final em uso no Centro de Formação e decorre da avaliação do dossiê que vão construindo individualmente com:
- cópia da documentação recolhida pelos seus alunos nas aulas, em actividades de trabalho autónomo e cooperado;
- exemplos de produções realizadas pelos alunos (projectos, estudos, comunicações, intervenções na comunidade) onde se explicita/reflecte sobre as aprendizagens curriculares que realizaram;
- textos de reflexão produzidos.